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João Calvino nasceu no dia 10 de Julho de 1509 em Noyon, França. Seu pai, Geraldo Calvino, era advogado e secretário do bispado de Noyon (na Igreja Católica). Sua mãe, Jeanne le Franc, faleceu quando ele tinha três anos de idade. A família Calvino tinha amizade com pessoas importantes e a convivência com essas famílias levou João Calvino a aprender as maneiras educadas da elite daquela época.

Calvino tinha somente oito anos de idade quando Martinho Lutero escreveu as suas 95 teses em 1517. Para muitos, Calvino terá sido para a língua francesa aquilo que Lutero foi para a língua alemã, uma figura quase paternal.

Quando a maioria das pessoas pensa em João Calvino, eles provavelmente pensam num grande teólogo, um pregador notável, um líder da Reforma Protestante e um grande comentarista da maioria dos livros da Bíblia. Porém a maioria pode não pensar em Calvino como pastor, mas a verdade é que acima de tudo ele foi um pastor, preocupado em pastorear aqueles que Deus confiava ao seu cuidado. Ele certamente era um grande teólogo, um brilhante pregador e palestrante, e um escritor prolífico, mas seu cuidado pastoral das pessoas permeava tudo o que ele fazia.

O Reverendo Marcus J. Serven fala: “O trabalho de Calvino é imenso e variado. Teólogo, homem da igreja, organizador do protestantismo na França, fundador da Academia de Genebra, palestrante público, comentarista bíblico, pregador na igreja de São Pedro - Calvino foi tudo isso. Mas esquecer ou negligenciar o fato de que Calvino era essencialmente e acima de tudo um pastor seria entender mal esse aspecto de sua personalidade que revela a unidade essencial de sua obra e ignorar a fonte profunda dessas águas que fecundam todo o campo da sua atividade. Na verdade, apesar de ser teólogo, Calvino era ainda mais pastor de almas. Mais exatamente, a teologia era para ele o servo da piedade e nunca uma ciência suficiente para si mesma. Seu pensamento sempre é direcionado para a vida; sempre ele desce dos princípios para a aplicação prática; sempre ocorre sua preocupação pastoral”.

Ele pregava dois sermões diferentes todos os domingos, mais todos os dias em semanas alternadas. Em média, ele pregava 170 sermões por ano. As semanas em que ele não estava pregando todos os dias ele lecionou três vezes para estudantes pastorais. Ele também se reuniu todas as quintas-feiras com os líderes da igreja, aconselhou vários indivíduos e entretinha muitos convidados em sua casa. Além de tudo isso, ele procurava manter contato com os outros reformadores para que a Reforma pudesse progredir.

Nesse tempo na história as congregações não providenciaram pelas necessidades financeiras de seus pastores. Assim, enquanto estava em Genebra pela primeira vez, ele tinha que vender utensílios domésticos e livros da sua biblioteca para se manter. Foi só depois de oito meses palestrando que ele começou a receber um salário de um “gulden” por semana, uma quantia insuficiente para uma vida confortável. Lá ele permaneceu solteiro até a idade de vinte e nove anos, morando numa casa sem um sistema de aquecimento, procurando servir a Deus que o revindicou enquanto não sabia de onde viria a próxima refeição. No entanto, ao invés de ouvi-lo reclamar, nós o vemos envolvido num ministério louvável. Calvino foi um pastor fiel durante vinte e sete anos; a metade de sua vida.

O estereótipo típico de Calvino é que ele era um teólogo severo, acadêmico e chato, que falava constantemente e tediosamente sobre a predestinação de uma maneira fria e sem compaixão. Mas, na verdade, ele era profundamente devocional e piedoso em sua vida pessoal. Ele enfatizou que um pregador deve estudar a Bíblia porque a ama e porque o move. Ele disse: "Para ser bons teólogos, devemos levar uma vida santa. A Palavra de Deus não é para nos ensinar a falar de uma maneira insensata ou inconsequente; não é para nos tornar eloquentes e sutis e eu não sei o que. É para reformar a nossa vida, de modo que é conhecido que desejamos servir a Deus, de nos entregar inteiramente a Ele e nos conformar com a sua boa vontade". Lutero era dotado de uma retórica mais direta, por vezes grosseira, enquanto que Calvino tinha um estilo de pensamento mais refinado.

Calvino, o teólogo

A teologia de Calvino foi bem completa. Ela era muito mais do que "os cinco pontos do Calvinismo" ou “predestinação” como ele é muitas vezes acusado. Geralmente quando alguém fala: “Sou Calvinista”, a primeira reação é uma cara fechada seguido pela pergunta: “Você crer em predestinação?”, como se não fosse qualquer outro assunto de qual Calvino abordava. A verdade é que Calvino talvez não teria abordado o assunto tanto se não fosse por Jerome Bolsec, banido pelo conselho em 1551, que atacava repetidamente a doutrina de Calvino da predestinação. Esta controvérsia levou Calvino a enfatizar a doutrina mais do que costumava. Interessante, Lutero foi mais “calvinista” do que Calvino nesta matéria. Calvino foi, provavelmente, o maior teólogo Protestante, pois foi muito usado na defesa das doutrinas bíblicas e não só simplesmente numa visão estreita da predestinação. De fato, ele foi um grande comentarista da Bíblia tão quanto teólogo, se não mais. Ele escreveu comentários sobre quase todos os livros da Bíblia, com base no hebraico e grego original, e eles são uns dos poucos do período pré-iluminista que os eruditos modernos, o liberal e o conservador, ainda se beneficiam.

Institutas da Religião Cristã

Em 1532, Calvino recebeu seu licenciado em direito e publicou seu primeiro livro, um comentário sobre o De Clementia do Seneca. Após viagens sem intercorrências a Orléans e a sua cidade natal de Noyon, Calvino voltou a Paris em outubro de 1533. Durante esse período, as tensões surgiram no Collège Royal (mais tarde para se tornar o Collège de França) entre os humanistas/reformadores e os conservadores seniores membros da faculdade. Um dos reformadores, Nicolas Cop, foi reitor da universidade. Em 1 de novembro de 1533, ele dedicou seu discurso inaugural à necessidade de reforma e renovação na Igreja Católica Romana. A palestra provocou uma forte reação da faculdade, que a denunciou como herética, forçando Cop a fugir para Basileia. Calvino, um amigo íntimo de Cop, estava implicado na ofensa, e para o próximo ano ele foi forçado a se esconder. Ele permaneceu em movimento, abrigando-se com seu amigo Louis du Tillet em Angoulême e se refugiando em Noyon e Orléans. Finalmente, ele foi forçado a fugir da França durante o Caso dos Placards no meio de outubro de 1534. Nequele incidente, reformadores desconhecidos haviam publicado cartazes em várias cidades criticando a missa Católica Romana, a que os adeptos da igreja Católica Romana responderam com violência contra os que seriam Reformadores e seus simpatizantes. Em janeiro de 1535, Calvino se juntou a Cop em Basileia, Alemanha, uma cidade sob a influência do reformador Johannes Oecolampadius.

Enquanto estava lá, ele ouviu relatos de cristãos sendo falsamente acusados e queimados na fogueira na França. Ele sabia que, se ele calasse e não fizesse todo no seu poder para se opor a tal tirania, ele seria um covarde e um traidor da causa de Cristo. Isso o motivou a escrever e publicar as Institutas da Religião Cristã. A palavra "Institutas" pode ser melhor traduzida "Princípios", mas há tanto tempo se chamou de Institutos que esse título ficou.

A edição original (publicada em 1536, escrita antes de Calvino tinha 27 anos, e menos de seis anos após sua conversão) foi um tratado relativamente “breve” (cerca de 500 páginas) destinado a um manual elementar para leitores gerais que desejavam conhecer algo sobre a fé evangélica. Ele queria corrigir algumas das coisas caluniosas que se diziam sobre os que criam e se apegavam aos ensinamentos da Reforma, e ele queria dar instrução em questões de salvação e piedade para aqueles que ainda não tinham conhecimento de Deus. Ele queria mostrar que os evangélicos criam e seguiam os grandes credos da cristandade; que procuravam obedecer à lei moral de Deus e que eram leais à ordem política estabelecida.

Assim, ele teve dois propósitos principais em escrever as Institutas: primeiro, mostrar que a fé evangélica não era algo novo e radical, mas sim a fé de Cristo e os apóstolos, e que era a Igreja Católica que tinha se afastado das verdades da Bíblia. Em segundo lugar, ele queria dar instruções nos princípios da salvação e da vida piedosa para as pessoas que desejavam conhecer a Deus, mas, invariavelmente, tinham sido desviadas por Roma. T. H. L. Parker diz: "Calvino pretendia que fosse simpes". O livro foi imediamente popular, o que parecia quase envergonhar Calvino. Ele manteve em segredo em Basileia e, em qualquer outro lugar, que ele era o autor do trabalho. Ele revisou e expandiu os Institutos ao longo de sua vida, até a edição final de 1559.

Os Cinco Pontos do Calvinismo

1.    Depravação Total

2.    Eleição Incondicional

3.    Expiação Limitada

4.    Graça Irresistível

5.    Perseverança dos Santos

Ao contrário de que muitos pensam, não foi João Calvino quem escreveu “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Estes cinco pontos foram formulados pelo Sínodo de Dort. Este Sínodo foi convocado pelos estados Gerais (da Holanda) e composto por um grupo de 84 Teólogos e 18 representantes seculares, entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e outros países da Europa reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro de 1618 até maio de 1619.

Os “Cinco Pontos do Calvinismo” foram formulados em resposta a um documento que ficou conhecido na história como “Remonstrance”, isto é, “Protesto”, apresentado ao Estado da Holanda pelos discípulos do professor de um seminário holandês, Jacob Hermann, cujo sobrenome latino era Arminius (1560-1600). Mesmo estando inserido na tradição reformada, Armínio tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpatizante aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere ao “livre arbítrio” do homem.  Este documento formulado pelos discípulos de Armínio tinha como objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg), as substituindo pelos ensinos do seu mestre: “Os Cinco Pontos do Arminianismo”. Em resposta a estes Cinco Pontos do Arminianismo, o Sínodo de Dort elaborou também o que conhecemos como “Os Cinco Pontos do Calvinismo” ao invés de sete ou dez.

Curiosamente, este sistema doutrinário, se assim podemos chamá-lo, foi elaborado somente 54 anos após a morte do Calvino.

A Morte de Calvino

Nos seus últimos anos de vida, a saúde de Calvino começou a vacilar. Sofrendo de enxaquecas, hemorragia pulmonar, gota e pedras nos rins, ele ainda não parou de pregar, e algumas vezes foi levado carregado para o púlpito. No final de sua vida ele disse a seus amigos que estavam preocupados com o seu regime diário de trabalho: "O quê? Querem que o Senhor me encontre parado quando ele chegar?"

João Calvino faleceu em Genebra a 27 de Maio em 1564, e foi enterrado numa sepultura simples e não marcada, conforme o seu próprio pedido.

Papa Pio IV, o pontífice romano, no momento da morte de Calvino, disse a respeito do seu maior inimigo: "A força desse herege consistiu nisso, que o dinheiro nunca teve o menor charme para ele. Se eu tivesse servos assim, meu domínio estenderia um lado do mar até o outro lado".

 

Seu associado mais próximo e sucessor pessoal, Teodoro de Beza, nos dá um tributo apropriado à vida de Calvino com essas palavras motivantes: “Tendo sido um espectador de sua conduta por dezesseis anos, dei uma conta fiel da sua vida e da sua morte, e agora declaro que, nele, todos podem ver um exemplo muito belo do caráter cristão, um exemplo que é tão fácil difamar como é difícil imitar”.