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O movimento dos Puritanos surgiu nos anos 1500, influenciado pelo nascimento da Igreja da Inglaterra e a pronta disponibilidade da Bíblia inglesa. Estes dois fatos ocorrem no reinado do rei Henrique VIII, monarca da época, casado com Catarina de Aragão.

O fato de que Catarina de Aragão não poderia dar-lhe um herdeiro masculino frustra o rei a ponto de pedir à Igreja Católica que lhe concedesse divórcio. Por ter recusado o seu pedido Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e estabeleceu a Igreja da Inglaterra como retaliação.

A Igreja da Inglaterra pretendia se afastar da Igreja Católica introduzindo algumas reformas, ficando assim, mais próxima da nova religião protestante. Mas mesmo durante o período do rei Henrique VIII as mudanças foram mínimas, com a Igreja Inglesa permanecendo na mesma situação em que estava na Idade das Trevas.

Nesse período o Papa deixa de ser o chefe da Igreja inglesa e o rei assumiu esse papel. Mais algumas mudanças aconteceram, porque a chegada da Bíblia inglesa, que estava sendo contrabandeada na Inglaterra, incentivou o surgimento do cristianismo bíblico e a Reforma inglesa.

A Igreja da Inglaterra ainda estava sob controle de um sacerdócio medieval. No entanto, o avivamento bíblico estava começando em toda a terra e a hierarquia da igreja não ficou impressionada, nem feliz com os leigos ingleses lendo e meditando na Bíblia por si mesmos, sem a supervisão oficial da Igreja.

O rei Henrique VIII tornou-se cada vez mais consciente desse novo fervor religioso entre os seus súditos, nas correntes políticas que existiam dentro desse movimento, e em toda a terra.

O rei não gostou disso nenhum pouco. Como regente, para ele, a situação era uma bofetada no rosto. Em sua opinião, os reformadores estavam mostrando desrespeito pelo seu governo e faltando com a devida reverência por sua igreja. Assim o rei Henrique chamou o cardeal Wolsey e, com raiva, exigiu dele uma resposta do que estava acontecendo.

O rei Henrique VIII ficou furioso ao descobrir que William Tyndale estava traduzindo a Bíblia em locais escondidos na Alemanha e na Holanda, e que as cópias das Escrituras estavam sendo contrabandeadas para a Inglaterra sem autorização da Igreja e do estado. Então, a Igreja inglesa reagiu contra este novo avivamento bíblico. Era como um velho odre endurecido quando resiste ao fermento fresco de um vinho novo. A ruptura resultante da Igreja inglesa não foi inesperada, mas era inevitável. A Igreja inglesa, foi, simplesmente, incapaz de conter, ou acomodar, este novo fervor espiritual e bíblico.

Os Puritanos sentiram que a Reforma inglesa não tinha ido suficientemente longe, e que a Igreja da Inglaterra era muito tolerante com as práticas que eles associavam à Igreja de Roma. No entanto, é necessário esclarecer que os Puritanos se diferenciavam de outros grupos não conformistas da época, pois ao invés de querer separar completamente da igreja, eles desejavam reformá-la. O que os Puritanos queriam era ficar dentro da Igreja inglesa e mudá-la a partir de dentro. Eles queriam reformar e “purificar” a Igreja da Inglaterra. Foi por isso que eles começaram a ser chamados de “Puritanos”. Mas, o termo “Puritano” só se tornou comum durante o reinado da rainha Isabel, quando a presença dos Puritanos foi verdadeiramente sentida. O termo não pretendia se referir a moralidade radical, como muitos entendem hoje, mas a uma atitude reformadora em relação às igrejas estabelecidas.

Depois que todo esforço de reformar a Igreja Inglesa falhou, mesmo com a ajuda do arcebispo, os Puritanos decidiram solicitar a ajuda do Parlamento, enviando-lhes uma carta, o Manifesto Puritano, intitulada “Uma Admoestação ao Parlamento”, publicado em 1572 e escrito pelos clérigos londrinos John Field e Tomas Wilcox.

No documento, os Puritanos exigiam que a rainha Isabel restaurasse a “pureza” do culto na Igreja da Inglaterra como na Igreja do Novo Testamento, e eliminasse o restante dos elementos e práticas católicas.

Refletindo a ampla influência presbiteriana entre os Puritanos, a admoestação defendeu uma maior dependência direta da autoridade das Escrituras e também o estabelecimento de um governo da igreja por meio de ministros e presbíteros, em vez de uma ordem superior de clérigos, ou bispos. A Rainha, no entanto, resistiu a este documento. Os autores e o líder dos presbiterianos foram presos e Thomas Cartwright, o fundador do Puritanismo, foi forçado a fugir da Inglaterra depois de publicar "A Segunda Admoestação ao Parlamento" em apoio da primeira.

O clérigo que se recusava a se conformar com a forma compulsiva de adoração que havia sido promulgada por Isabel em 1559, o Ato da Uniformidade, perdia seus púlpitos ou era preso. Esta tentativa de sufocar o movimento Puritano também falhou, mas não tiveram escolha, senão separarem-se da Igreja da Inglaterra para que pudessem seguir suas próprias convicções.

Conforme vamos examinamos a história dos Puritanos, logo descobrimos a fonte de sua inspiração: a Palavra de Deus. A Bíblia era a sua fonte de uma fé cristã vital e pessoal. Esta era a verdadeira iluminação do tempo. O “novo aprendizado”, como se chamava, veio do cristianismo bíblico e, desta nova dimensão da fé cristã e pessoal, vieram as esperanças e os sonhos que faziam parte da experiência puritana.

A fé cristã bíblica era a fonte do seu zelo. E esse entusiasmo não era apenas com expectativa individual. Os Puritanos tinham uma visão corporativa. Era para uma “nação sob Deus”. Eles desejavam que a mudança chegasse a sua Igreja inglesa e à nação inglesa também. Mas não apenas isso. Eles desejavam mudar o mundo inteiro ao seu redor!

Os Puritanos sustentavam a crença reformada na soberania de Deus, a autoridade das Escrituras como a revelação da vontade de Deus e a necessidade de se submeter à vontade de Deus. Consideravam os rituais e as instituições humanas como imposições idólatras sobre a Palavra de Deus. Eles queriam livrar a igreja dos velhos restos do papismo.

O zelo puritano na divulgação de sua crença sobre o confronto de Deus com a humanidade entrou em conflito com a Igreja oficial. No entanto, os Puritanos se consideravam membros da igreja, não fundadores de novas Igrejas. Vale a pena afirmar aqui que o puritanismo não era apenas um fenômeno teológico. A energia dos Puritanos vem de algo mais profundo do que um mero conhecimento intelectual, ou de uma nova teologia baseada na Bíblia. A fé evangélica foi uma realidade espiritual e pessoal que surgiu de uma relação pessoal vital com o Deus da Bíblia. Em resumo, os Puritanos eram protestantes que eram particularmente zelosos em seu desejo de simplificar a igreja, querendo fazê-la mais estritamente baseada na Bíblia, permitindo ao indivíduo uma relação mais direta com Deus.

A maioria dos Puritanos primitivos preservou os fundamentos da fé como se vê nas páginas da Bíblia. Mas eles não eram pietistas, apenas vivendo suas vidas numa reflexão religiosa. Eles não se contentaram em sentar-se sozinhos nos seus quartos com as suas Bíblias durante seu tempo devocional com Deus. Eles viveram sua fé cristã de uma maneira muito “prática”. Seja qual for os desafios, eles olharam para Deus para obter respostas e orientações. E eles oraram pela força para continuar. E quando era necessário agir, podia-se esperar nos Puritanos para responder prontamente ao chamado.

Eu acho interessante todo esse interesse renovado nos Puritanos por aqueles referidos como os “novos calvinistas”. Com certeza, é algo bom, mas me pergunto - qual o propósito? Parece que o foco está basicamente só na teologia deles. Em outras palavras, todo o barulho que provocam é mais doutrinário do que prático, e assim nós perdemos completamente o espírito do Movimento Puritano. Os Puritanos eram calvinistas, pode ter certeza, mas seu foco principal não era defender as Doutrinas da Graça, mas promover mudanças dentro da igreja e em suas próprias vidas.Os novos calvinistas constantemente exaltam os Puritanos, mas a verdade é que eles não querem adorar ou viver como os Puritanos fizeram.

O objetivo principal dos Puritanos era a consagração. Sermões e livros enfatizaram isso no espírito de Romanos 12.1-2, onde o apóstolo Paulo chama os fiéis para apresentar seus corpos como sacrifício vivo e não se conformar com este mundo. O coração foi desafiado e agitado. Cristo era o Senhor de suas vidas, e o homem interior foi colocado no altar do serviço por Ele.

Além de pastores, sabemos que alguns “novos” jovens calvinistas nunca vão se estabelecer numa igreja, dedicados e trabalhando, porque seus pontos de vista vivem apenas em suas cabeças e não nos seus corações. Eles entendem as doutrinas da Reforma e até podem defende-las, mas falta uma transformação verdadeira de vida e assim eles continuam vivendo vidas imorais. Aqui devemos ressaltar uma advertência: quanto maior sua proeza doutrinal, maior será a sua hipocrisia. Onde o bíblico e evangélico Calvinismo forma conduta, ele é um humilhante e belo sistema da Verdade, mas quando está confinado apenas à cabeça, ele acaba em orgulho. 

Somente acreditar nos cinco pontos do calvinismo não faz alguém um calvinista.

Se os Reformadores pudessem viver nos dias atuais, começariam mais uma reforma por causa do amor por esse mundo que existe na igreja, ao amor por coisas e dinheiro, a falta da leitura diária da Palavra, a falta da oração, a falta de moralidade, e as desculpas fáceis para pecar.

As doutrinas eram os frutos da reforma e não a sua razão.

Eles lutaram pelo direito de possuir, ler e interpretar a Bíblia por si mesmos porque sabiam que a Palavra transforma vidas. Eles lutaram contra uma igreja que afirmava que só a elite, apenas os educados, apenas os doutores em Teologia podiam ler e estudar as Escrituras. Hoje nós temos a Bíblia, mas onde está a transformação? Onde está a diferença em nossas vidas? A verdade sem a prática cheira a mentira. Reforma não é somente, e, principalmente, mudança na estrutura da igreja, mas, no povo que se acha dentro dela.

O fato inconfundível da questão é que o Calvinismo é muito mais do que apenas cinco pontos. É, além de conhecer Deus, abraçar tudo o que Ele tem revelado sobre si mesmo na criação e na Bíblia. É estar no temor de sua soberania, grato por sua santidade, envergonhado de sua própria corrupção em contraste com a santidade de Deus, e ansiosamente, celebrar seu amor eletivo e as riquezas da sua graça salvadora em que, ainda um pecador, sem nada poder fazer por si mesmo, para ganhar a aprovação de um Deus justo, o Senhor enviou seu Filho amado ao mundo, para atender às demandas de sua aliança no lugar do pecador, para fazê-lo seu filho e herdeiro com Cristo e um beneficiário de seu favor eterno.

Calvinismo é um conjunto de doutrinas sim, mas também é um modo de vida, uma vida que odeia o pecado, mas ama a Palavra e todos os caminhos de Deus; uma vida santificada que se vive em resposta, gratos por sua bondade e misericórdia, pelas suas misericórdias infalíveis, que são novas a cada manhã, procurando apresentar-se como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, enquanto ele antecipa sua vinda gloriosa e anseia cantar os seus louvores por toda a eternidade.

Eu temo pela moderna igreja reformada, em que seus “seguidores” gastam horas defendo doutrinas que são mais intelectuais do que práticas. O calvinismo puritano era bem diferente do que o neocalvinismo de hoje. Sim, eles afirmam crer nos mesmos pontos teológicos, mas a prática de suas vidas é bem diferente. O novo calvinismo não é um ressurgimento, mas uma fórmula inteiramente nova que retira a doutrina da sua prática histórica e aproxima do mundo.

Para um reformador de uns 500 anos atrás a batalha não acontecia numa sala fechada com um copo de café, mas na rua, na vida diária.

A teologia bíblica que cada seguidor de Cristo deve perseguir é aquela que procura conhecer o caráter, natureza e vontade de Deus como revelado na Escritura, para que possa viver de maneira que O agrada. Há uma praticidade na Teologia que produz sabedoria relevante para se viver no mundo real. Alguns se referem a isso como a cosmovisão cristã, que é realmente apenas outra maneira de se referir a uma teologia bíblica coerente. Ela funciona menos como um conjunto de fatos acadêmicos do que como um quadro analítico para viver corretamente. Isso os Puritanos modelaram para nós. O que eles acreditaram a respeito de Deus foi mostrado em suas vidas.

Alexandre, o Grande, depois de uma batalha, estava julgando vários homens por suas ofensas na batalha. Um por um, ele condenou-os à morte. De repente, um jovem veio diante do assento de julgamento. Ele foi grande, com toda a vitalidade e ingenuidade que você encontrará apenas entre os jovens. “Qual é o crime?” - Perguntou Alexandre. Covardia na batalha”, respondeu o acusado. Todo mundo baixou a cabeça, porque a covardia era o que Alexandre mais desprezava. Mas, de repente, o rosto de Alexandre suavizou e ele perguntou: “Qual é o seu nome”? “Meu nome é Alexandre”, o jovem respondeu. Com isso, Alexandre ficou de pé e falou: Mude seu nome ou mude a sua conduta”!

Talvez a questão maior não seja se aqueles que afirmam ser reformados seguem o estilo de vida dos reformadores ou não, mas se aqueles que afirmam ser crentes seguem o estilo de vida de Cristo.

1 João 2.6: Aquele que diz que está em Deus deve viver sua vida como Jesus viveu a dele.

 

Mude sua conduta ou mude seu nome!!!!!!!!!!!!!!!