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Depois do barulho da primeira e-pístola “Redescobrindo seu coração selvagem”, sentimos uma obrigação de fazer a segunda parte.

Nessa, a gente não vai olhar para a gaiola e os treinadores, mais para os “tigres”, pois tem uns líderes que têm me mostrado que, enquanto as igrejas têm construído gaiolas (e isso é inegável), existem líderes que deixam a porta da gaiola aberta e não impede os tigres de voltar para a floresta para tentar influenciar os outros perdidos. E eu tenho que admitir que existem uns pastores que realmente não querem ser os donos da igreja e mandar em todos. Esses realmente estão encorajando os tigres a fazerem diferença. Então qual é o problema?

O problema é que muitos (se não a maioria) dos que leram a primeira parte concordaram, e até pensaram em pular de vez da gaiola, sem parar pra perceber se a porta estava aberta. Em outras palavras, existem muitos “gatos” que querem acreditar que uma vez foram “tigres” e que o sistema tem mudado eles, quando a verdade é que eles sempre puxaram para o lado de “gato” e estão bem cômodos na gaiola. Eles nunca foram selvagens de verdade. É igual o cara meio frouxo e magro que conta as historinhas de que, quando ele era moleque, todos apanhavam dele; sonho grande que ninguém acredita. Se fossem saber a verdade, todos estariam lutando para não se rachar de rir na frente dele. O problema é que quando alguém começa falar em tigres, eles se sentam constrangidos por não ser, e até fingem ficar indignados também. Mas a verdade é que eles gostam do sofá e, enquanto ninguém fala que é errado, eles ficam lá sem pensar na floresta.

A igreja está cheia de pessoas acomodadas que não se ligam com nada lá fora (alguém tem que organizar as festas), e a única coisa que os perturba é quando alguém os deixa sentindo que o que estão fazendo não é o suficiente, ou o que Deus quer. E assim, eles podem reagir de duas maneiras: Primeiro, eles vão discutir contigo e quase arrancar tua cabeça do lugar ou, segundo, eles vão fingir que também se sentem presos e acha errada a gaiola. Mas ainda assim, o problema persiste: eles são gatos.

Do outro lado, tem os que são tigres de verdade e, tanto que a gente gostaria de culpar a gaiola e os que criaram ela, o fato permanece que nós tínhamos que entrar e temos que ter também a capacidade de sair, especialmente se a porta só estiver encostada. Os culpados somos nós, os tigres que, com tanta facilidade, se acomoda a uma situação fácil e mole. E aí eu acho que entra a indignação maior, não tanto pelo fato que existe uma gaiola e treinadores, mas que nós ficamos confortáveis e deitados com tanta facilidade, e parece que não conseguimos nos levantar com essa mesma facilidade. Nós olhamos no espelho e vemos que temos nos tornados gatos e piramos de indignação, só que ao invés de encarar o fato de que somos nós os frouxos e que temos medo de falar ou agir, preferimos culpar quem está por perto, ou seja, a igreja e os líderes.

A verdade é que essa geração está cheia de muito papo furado. Ela fala tanto em mudar o mundo, mas não faz nada além de chorar sobre a situação, deitados no sofá. O mais louco disso é que é essa geração que está trabalhando para construir as gaiolas de quais vão reclamar de que não gostam. Beleza, mas a porta está aberta. Essa geração declara querer ser a geração santa, enquanto ela opta por pecar e até procurar desculpas para seus pecados. Essa geração tem muita intenção boa, mas até agora pouca ação. Não estou dizendo que ela não tem chamado; tem. Mas se ela não se acordar do seu estupor espiritual, a vida vai passar e ela vai querer saber um dia por que a “Palavra do Senhor” não se cumpriu. Levante-se, gatinho! Solte sua voz!

Enquanto temos razão de ficar indignado com uma instituição de qual eu acho que tem pouco a ver com o que Jesus queria, eu tenho que admitir que a maior parte do problema está com a nossa moleza. Somos nós que decidimos ficar deitados no sofá. Somos nós que temos medo de sair da gaiola porque não sabemos mais como lidar com os tigres lá fora. Somos nós que gostamos do carinho dos treinadores mais do que ser usado pelo Criador. Então tanto que nós gostamos de culpar os que estão ao nosso redor, a verdade é que nós não temos que olhar além do nosso espelho pra achar a razão da qual estamos na gaiola. Não para dizer que não existem gaiolas com as portas trancadas; existem. Mas a maioria só tem a porta encostada e podemos sair quando quisermos.

Então, antes de pular pela janela e arriscar se machucar, procure saber se a porta não está aberta. E se estiver, você tem a liberdade de ir e voltar quando quiser. Vai, saia e faça evangelismo, mas não se esqueça: existem pessoas na gaiola que te ama e fez ela para tentar te proteger, não para te matar.

Então, antes de chutar tudo, dê um olhado no espelho para ver se o culpado de você estar parado não é você mesmo. Não faça o que é natural e culpar tudo e todos que não tem a ver contigo. Seja honesto. Caso não goste do bicho que vê no espelho, você também tem a capacidade de mudar.

Deus te abençoe!

Jeff Fromholz