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Amando Deus ou Deus Amante?

Mais uma vez eu fui confrontado com como o Cristianismo atual é frouxo. Eu não paro de ficar maravilhado de como os homens conseguem banalizar Deus. Na verdade, já tenho reclamado das besteiras que cantamos domingos nas igrejas; não somente as mentiras, tipo “Estou apaixonado” ou “Tu és o meu maior amor”, mas as letras esquisitas estão me incomodando recentemente.

Jesus respondeu em Mateus 22.36-37 a pergunta: “Qual é o mandamento mais importante?”

Mt 22.36-37; "Você deve amar o Senhor teu Deus com todo o seu coração, toda a sua alma, e toda a sua mente." (Marcos adiciona “todas as suas forças”)

Beleza, todos nós sabemos disso e nenhum de nós faz. Mas, amar Deus é tudo. O incrível é que hoje, se um púlpito vai enfatizar algo bíblico, enfatiza santidade, como se fosse à coisa mais importante, até mais importante do que amar a Deus. A verdade é quem ama Deus vive em santidade, mas vivendo em santidade nem sempre quer dizer que amo Deus. E eu confesso que eu tenho sido culpado de pregar muito mais sobre santidade do que amar a Deus. Talvez é o reflexo de não amar Ele tanto que devo ou não saber explicar mesmo como amar a Deus. Mas, Jesus mesmo deixou esse recado conosco, amar Deus é o mais importante. Assim, os compositores evangélicos têm pegado, já faz anos, uma onda de cantar sobre amando Deus. Só que a maneira que eles cantam, eu questiono.

“Como a noiva e o noivo se tocam, eu te toco Senhor.

Como a noiva e o noivo te beijam, eu te beijo Senhor.

Tu és tão lindo, teu perfume me atrai”.

e

“Entrei no meu jardim

Colhi os meus perfumes

Para te dar ó noiva minha

Os teus perfumes são suaves

O teu amor melhor do que o vinho

melhor do que o vinho”

Pare! Pare! Pare! Ah não gente. Vem cá, o que isso? Será que eu sou o único que escuta essas letras e acham elas estranhas? Meu amigo, o que nós temos de letras estranhas hoje não tem fim. O que eu quero declarar aqui é que Jesus falou para a gente amar Deus, não fazer Ele o nosso amante. Jesus não quer ser o namorado celestial de ninguém. Ele é o Reis dos reis e o Senhor dos senhores; Aquele para qual todo joelho se dobrará. E Deus não quer que ninguém deite no colo dele. Estamos fugindo do que é real, exagerando, banalizando. E isso eles chamam de “extravagante”??? Parece “estranhavante”. E não fala que eu estou sendo estúpido. Estúpido são aqueles que olham para o Criador do universo e de alguma maneira acha que Ele tem desejo que a gente cheire o seu perfume e fique com as pernas bambas. Ah não. Isso é demais.

Vamos falar sério. O problema é que a maioria de nós não tem nenhum relacionamento com ele e essa viagem de Deus amante é no mínimo uma maneira da gente tentar expressar alguma coisa para Ele, ainda que seja estranho. Deus está procurando aqueles que vão o adorar em espírito e em verdade, não um que vai querer passar mão na sua bunda. E sim, é isso que os noivos fazem “Como a noiva e o noiva se tocam”. Essa intimidade entre noivo e noiva não tem nada a ver com o nosso relacionamento com Deus. São pessoas se achando espertos viajando em Cântico dos Cânticos e achando que é assim entre nós e Deus. NÃO É! Ele continua sendo Aquele sentado sobre o trono e sem ninguém sentado na sua coxa dando um abraço. A noiva é como ele se refere a igreja, não a cada um de nós, tipo, ele vai nos levar para o quarto dele para um momento muito íntimo. Vai tomar banho! Mas estamos sendo levados a crer que assim Deus é e quer.

Mas quem vai dizer que Jesus quer ser tocado assim? Na boa, eu não quero tocar nele assim. Eu não quero beijar ele como eu beijo a minha esposa. Eca! Tudo isso além de fazer a maioria de nós homens meios confusos, nos deixa não sabendo como lidar com Jesus. Somos homens na carne, mas travestis espirituais vestidos como noivas. Nós não sabemos se devemos dar um soco no braço ou um abraço bem delicado. E tudo isso além de nos deixar confuso, banaliza quem Jesus é. Tudo isso faz ele alguém frouxo aos nossos olhos. Em vez de nosso general sentado sobre um cavalo branco com uma espada saindo da sua boca, temos um cara afeminado pedindo abraços e usando perfume tentando nos atrair. NÃO! NÃO! NÃO! Não é isso.

Meu amigo, eu creio que Deus quer um relacionamento comigo e contigo, mas vamos voltar a realidade: Ele é Deus e nós somos suas criaturas. Creio com todo meu coração que Deus deseja algo real comigo, mas isso não inclui fingindo que estou sentado no seu colo com seus braços me segurando e Ele sussurrando no meu ouvido, “Eu te amo”. É demais para mim. É falso, algo imaginário. Meu irmão caçula tinha um amigo imaginário quando era pequeno e eles “conversavam” juntos e “faziam” tudo juntos, mas mesmo que ele falava do seu amigo e das experiências deles, nada fez o amigo dele se tornar real. E nada do que fingimos com Deus faz a parada real. Ele é real, e Ele mesmo fala no nosso interior e por meio da Sua Palavra e isso deve ser suficiente, pois o resto não passa por nada mais do que uma mentira cristã, mais um amigo imaginário.

Eu sonho com o dia em que eu verei uma geração entendendo quem Deus é, pelo que ele tem revelado na sua Palavra; no dia em que uma geração de homens com suas espadas se levanta e coloca as bonecas das suas irmãs de volta nos seus devidos lugares; no dia em que uma geração falará para Deus “Sim Senhor, seja feito segundo a sua vontade” e não “Deus me dê um beijo”.

Deus está levantando um exército por esses últimos dias; homens e mulheres guerreiros com os seus olhos fixos na batalha a sua frente, e com desejo de entrar no seu coração.

Meu amigo, a trombeta já foi tocada, Deus está chamando os seus soldados para a guerra. Qual será sua resposta? Lutará ou colherá perfume?

Por mim, eu não quero entrar em nenhum jardim e colher perfume para ninguém, nem receber. Eu amo Deus, mas eu entendo muito bem, Ele não é meu amante!

Jeff