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“Deixe o meu povo ir para que possa me servir.” Essa era a mensagem de Deus para Faraó por meio de seu servo Moisés. Faraó estava usando o povo israelita para seus próprios interesses, os maltratando, exigindo cada vez mais deles e, de fato, abusando deles. Então Deus mandou seu servo com uma mensagem para aquele responsável: “Deixe meu povo ir!”

Se Moisés estivesse aqui entre nós hoje e, de repente, se achasse no meio de um conselho de pastores, eu não duvido que a mensagem não fosse diferente: “Deixe o meu povo ir para que possa me servir”. É inegável que o “chamado” pastoral hoje tem menos a ver com “chamado” e mais a ver com empresariado, com alguém que sabe gerenciar uma empresa. Os pastores tem trocado os seus mantos de sacerdotes por ternos e gravatas de homens de negócios. E tente me falar que a igreja hoje não é um grande negócio que eu te mostro sem fim, cultos com mini-mensagens sobre dízimo e oferta. Será que isso é realmente porque estamos tão preocupados em Deus abençoar o povo? Parece para mim que é mais para manter a empresa “em pé”.

E para quem duvida, deixe-me abordar um assunto que prova a minha suposição e a necessidade de alguém falar para esses impastores: “Deixe o meu povo ir!” Está me assustando cada vez mais ver como a igreja em geral serve aos pastores, às ideias e às visões deles, e a frequência com que recebo ligações, e-mails e visitas de pessoas que são abusadas por seus líderes em nome da “autoridade espiritual”.

Meus amigos, a situação é triste aqui no Brasil e está piorando cada dia mais com esses autoproclamados “ungidos do Senhor”. Eu sei que cada vez que eu abordo algo que tem a ver com “liderança” na instituição chamada hoje de igreja, sempre tem alguém que me lembra para “não tocar no ungido do Senhor”. E se faço isso, estou me colocando no lugar de rebelde diante de Deus, e que Samuel 15.23 fala que “rebeldia é como pecado de feitiçaria”. Obrigado pelo aviso, não quero ser rebelde, mas deixe-me avisar que não distorça as Escrituras para não ser como o diabo.

Agora, deixe-me perguntar algumas coisas para que possamos nos entender melhor. Primeiro, quem os declarou “ungido do Senhor”? Eles mesmos? Interessante, mas nenhum dos apóstolos nunca disse que ele mesmo era ungido, eles não falaram desta forma: "não me toque, pois eu sou o ungido de Deus".

Mas o que a Palavra de Deus quer dizer quando fala “ungido do Senhor” ou “não toque no ungido do Senhor”?

Vamos começar aqui. O termo “ungido do Senhor” é um termo usado exclusivamente no Velho Testamento e sempre se refere a um rei.

A primeira vez que vemos isso é com Saul. Deus mesmo escolheu Saul para liderar o seu povo. Na história, Saul, como líder, foi atrás de Davi com a intenção de matá-lo. Davi teve muitas oportunidades para matar Saul, mas em todas ele se recusou. Ele não tocaria no ungido de Deus. Saul foi ungido rei sobre Israel, mas o seu tempo de reinado estava prestes a acabar. Davi sabia que ele era o próximo na fila para ser rei e se recusou a tirar Saul do seu lugar. Era Deus, não Davi quem tiraria Saul. Então, biblicamente falando, a expressão “ungido do Senhor” é usada como referência a um rei, não a um pastor. É perigoso tomar títulos por si mesmo sem base bíblica.

Agora vamos entender o que a Bíblia quer dizer com “tocar”. A palavra no hebraico por “tocar” é “naga” e fala de tocar fisicamente. A palavra no hebraico por “ungido” é "mashiyach", que significa “ungido rei de Israel”. Então estamos falando de um líder físico e não espiritual, e o tocar é físico: “Não mate ele”. Não tem nada a ver com falar, falar contra, questionar ou criticar. É dano físico.

Vemos isso na história de Davi e Saul, pois enquanto Davi não tocasse fisicamente em Saul, ele não estava impedido de criticá-lo. Ele questionou Saul por tentar matá-lo e falou que ele estava errado. Davi via Saul como o ungido, mas isso não o impediu de dizer: “O que você está fazendo é errado”.

Para dizer isto quando alguém fala contra um líder hoje, tipo Benny Hinn: “Não toque no ungido do Senhor”, nós primeiro temos que assumir que Deus ungiu Benny Hinn. No entanto, vamos supor isso por causa do argumento, e eu sei que isto vai parecer um grande salto para muitos leitores, que Benny Hinn tem uma "unção". (Fique tranquilo, eu não acho isso por nenhum segundo.) A única coisa que o texto "não toque nele" quer dizer é “não o machuque fisicamente, não o mate”. Então enquanto você não está fazendo ameaças de morte contra Benny Hinn, seguindo o exemplo do caso de Saul e Davi, você tem toda liberdade de criticar ele e qualquer outro homem que se diz ungido, mas prega ou vive coisas antibíblicas.

Também devemos observar uma parte importante dessa história, era Saul quem estava perseguindo Davi, caçando ele e tentando matá-lo. A história tem Saul, com sua posição ameaçada, perseguindo Davi, que era inocente, para matá-lo. Não é isto que vemos hoje, pessoas em uma posição maior de liderança tentando “matar” (sentido figurado) as pessoas que estão desafiando-as e acusando-as de estar dizendo e fazendo coisas erradas? Na verdade, a morte não é a primeira opção. Primeiro vem a ameaça de maldição, castigo de Deus por estar em rebeldia. Mas, de novo, de onde tiramos esta definição: de que rebeldia é quando não fazemos o que um líder da igreja manda?

Rebeldia é o que o próprio Saul fez em 1 Sam 15. Deus falou para ele: “ataquem os amalequitas e consagrem ao Senhor para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos”, e ele decidiu poupar “o melhor das ovelhas e dos bois para sacrificarem ao Senhor”. É aqui que Samuel o acusa de rebelião e fala que rebelião é como feitiçaria, porque ele não obedeceu à palavra do Senhor, e, por causa disso, seria tirado do posto de rei. Não era um homem não obedecendo ao seu líder. Era um líder não obedecendo a Deus. Então, por que hoje interpretamos deslealdade ou discórdia com a liderança como desobediência a Deus? “Questionar o líder é igual questionar Deus”, eles dizem. Deus nos ajude! Cada dia mais essa parada soa como seita.

Agora vamos deixar algo bem claro aqui sobre a “autoridade de pastor”. A autoridade dele se limita ao contexto da igreja e ao chamado dele. Biblicamente falando, tem três áreas para ele cuidar, em outras palavras, onde ele tem autoridade.

  1. Ensinar
  2. Proteger (contra heresias e falsos mestres)
  3. Cuidar

Em nenhum lugar o pastor tem autoridade para mandar na sua vida pessoal, para dizer aonde você pode ir ou o que você pode e deve fazer. Ele pode dar conselhos, e se a pessoa não segue os conselhos, isso pode até ser considerado burrice, mas não rebelião. O chamado do pastor é para servir. Ele é servo; e servos não mandam!

Liderar é para servir, não para ter servos. Um tempo atrás eu estava numa conferência em Goiânia e fiquei hospedado na casa do pastor. Ali eu vi uma das coisas mais loucas até hoje. Os doze desse pastor literalmente o serviam. Eles limpavam a casa dele, cozinhavam e até arrumavam a cama para eles. Isso eu sei, porque eu errei um dia em tentar arrumar a minha cama. Uma das moças passou na frente do quarto na mesma hora e quase teve um treco. “Não pastor, não faça isso! Os pastores não fazem as camas nesta casa, não.” O mais louco era a maneira como esse pastor se referia à situação: como se fosse algo tão legal... como eles o “honravam” tanto... Para mim foi uma das experiências mais nojentas que já tive no ministério. “Deixe o meu povo ir!”

Hoje a igreja parece uma empresa cheia de funcionários, todos fazendo a vontade do gerente com a esperança de agradá-lo e receber elogios, e, ao mesmo tempo, com medo de ofendê-lo e perder seu lugar. Hoje a liderança na igreja está dominando, controlando, manipulando seus seguidores e explorando-os para seu próprio ganho e construção do seu próprio reino. Alguém pode dizer: “Templo de Salomão”. E assim o povo se torna um bando de puxa-sacos oprimidos. Todo mundo pensando “não” e dizendo “sim”. Todo mundo com medo de que talvez as ameaças do líder tenham fundamento. Ninguém quer ser amaldiçoado e muito menos humilhado e envergonhado publicamente por ser rebelde.

É triste a situação. Eu não sei se é maior a minha indignação com esses líderes manipuladores ou meu medo, por eles, de um dia encontrarem com AQUELE que é o dono das ovelhas; AQUELE que as comprou com seu próprio sangue.

Que a criação inteira veja a situação da igreja moderna, com os “donos” e o povo oprimido, e que ela grite com uma só voz: “DEIXE O MEU POVO IR PARA QUE POSSA ME SERVIR!”

O povo de Deus não pode servir ao sistema religioso, aos que mandam nele e a Deus ao mesmo tempo. Deus não divide o povo dele com ninguém. Foi o sangue dele que o comprou, e assim o povo pertence a Ele.

Devemos ter o maior respeito por nossos pastores, os quais Deus colocou num lugar para cuidar de nós e prestar contas por nossas almas. Mas isso não significa que eles são infalíveis ou inquestionáveis. Ele são humanos, sub-pastores nomeados pelo verdadeiro Pastor, Jesus Cristo, para alimentar o rebanho de Deus.

Que Deus abençoe os verdadeiros pastores; mas, como fez com Saul, tire aqueles que estão fazendo o negócio por seu próprio benefício e não por amor ao Grande Pastor e seu rebanho.

1Pe 5.1-5; Eu, que também sou presbítero, dou agora conselhos aos outros presbíteros que estão entre vocês. Sou uma testemunha dos sofrimentos de Cristo e vou tomar parte na glória que será revelada. Aconselho que cuidem bem do rebanho que Deus lhes deu e façam isso de boa vontade, como Deus quer, e não de má vontade. Não façam o seu trabalho para ganhar dinheiro, mas com o verdadeiro desejo de servir. Não procurem dominar os que foram entregues aos cuidados de vocês, mas sejam um exemplo para o rebanho. E, quando o Grande Pastor aparecer, vocês receberão a coroa gloriosa, que nunca perde o seu brilho. E vocês, jovens, sejam obedientes aos mais velhos. Que todos prestem serviços uns aos outros com humildade, pois as Escrituras Sagradas dizem: "Deus é contra os orgulhosos, mas é bondoso com os humildes!"

Que Deus levante pastores segundo seu coração e nos faça humildes para sua glória.

Jeff