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Folha A·572
Geração BenjamimJeff FromholzObra reunida
03 de jun de 2013

A Adoção de um Traidor

Pr. Jeff Fromholz03 de jun de 2013

A adoção de um traidor.

Gal 4.1-7: O que eu quero dizer é que, enquanto o herdeiro é criança, ele não é diferente de um escravo, embora sendo dono de tudo. 2 Ele está sujeito a guardiões e administradores até o tempo determinado pelo seu pai. 3 Da mesma maneira, nós também, quando éramos crianças, éramos escravos debaixo ensinamentos elementares da religião humana. 4 Mas quando o tempo certo chegou, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido debaixo da lei, 5 para comprar a liberdade daqueles que estavam debaixo da lei, para que pudéssemos ser adotados como filhos de Deus. 6 E porque vocês são filhos, Deus tem enviado o Espírito do seu Filho aos nossos corações, que clama: “Abba! Pai!” 7 Então você não é mais escravo, mas filho; e se é filho, então também herdeiro de Deus por meio de Cristo.

Deus nos resgatou.

Resgatar é a ideia de comprar e depois libertar. Deus nos resgatou da escravidão com o preço do sangue de Cristo.

Tenho certeza que você concorda que Deus nos resgatando da escravidão do pecado é uma coisa muito grande.

Mas o propósito de Deus não concluiu com o resgate; tem algo mais, algo além, a razão da redenção.

Ele comprou a nossa liberdade PARA QUE – a razão – para que ele pudesse nos adotar como seus próprios filhos.

Ele nos resgatou para nos adotar. A culminação do resgate é adoção.

J. I. Packer disse (O conhecimento de Deus): "[Adoção] é o maior privilégio que o evangelho oferece: ainda maior que a justificação. (justificação nos dar a natureza de um filho de Deus, adoção nos dar a posição de um filho de Deus). De estar bem com Deus, o Juiz é uma coisa grande, mas para ser amado e cuidado por Deus, o Pai, é maior".

É “uma coisa grande" de estar bem com Deus, o Juiz, através da pessoa e obra de Jesus Cristo.

É "uma coisa grande" de ser perdoado do pecado.

É "uma coisa grande" de ser libertado do medo da ira futura.

É "uma coisa grande" de saber que não há e não haverá nenhuma condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus.

De estar bem com Deus, o Juiz, é "uma coisa grande", MAS... para ser amado e cuidado por Deus, o Pai, é maior.

Redenção nos liberta enquanto adoção nos leva ao um relacionamento íntimo com Deus; e isto é maior.

O perigo nisso é que é possível entender o grande e não compreender e viver no bem do maior. Paulo está querendo que nós não somente experimentamos o grande ("resgatados"), mas também o maior ("adoção"). PARA QUE.

E é isso que eu quero abordar aqui. Nossa adoção como filhos de Deus.

Ef 1.3-6; Louvado seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que tem nos abençoado com cada benção espiritual que existe nos céus porque nós pertencemos a Cristo. 4 Pois antes da criação do mundo, ele nos escolheu em Cristo para sermos santos e sem culpa aos seus olhos. Em amor 5 ele nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, 6 para o louvor da sua gloriosa graça, que ele nos deu gratuitamente no seu Filho amado.

O Deus eterno nos predestinou para sermos seus filhos. Ele nos escolheu para fazer parte da família dele.

1 João 3.1; Vejam como é grande o amor que o Pai tem nos dado, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus, e isso é o que nós somos!

Talvez você esteja pensando: “Eu já sei disso”. Mas deixe-me te levar um pouco mais além, pois existe mais nessa história.

Adotando você.

Quando pensamos em adoção, pensamos num bebê lindinho, doce, pensamos em Samuel, mas isto não pode ser mais longe da verdade.

Quando Deus nos adotou éramos seus inimigos e segundo Efésios 2, éramos filhos da desobediência e filhos da ira.

Você não era um bebezinho lindo falando “Eu te amo”. Você era um endemoniado que cuspia ódio e mordia.

Não havia nada atraente ou desejável em você que fez Deus te adotar. Pelo contrário, foi repulsivo a Ele por causa do seu pecado.

Quando eu falo com pessoas sobre adoção, o maior receio que ouço é sobre o risco. Tem cada história de terror de filhos adotivos que se tornaram más, drogados, criminais, etc.

Mas se esse fosse a única razão de não adotar, ninguém deve ter filhos também, pois não são somente filhos adotivos que enchem as prisões.

Ainda assim, quando você adota uma criança, você não sabe o que ou como ela vai ser.

Steve Jobs.

No dia 24 no ano 1955, Steven nasceu em São Francisco para uma mãe solteira chamada Joanne Simpson. Joanne era um estudante na época e achava sua vida muito agitada para criar uma criança, então ela colocou Steven para ser adotado.

Ele foi adotado rapidamente por uma contabilista chamada Clara e um mecânico chamado Paul, dois pais que oferecerem um lar amoroso para ele. Steven se formou em Homestead High School, em Cupertino, Califórnia, e fez apenas um semestre no Reed College, em Portland, Oregon. Durante os próximos 18 meses, ele passava as noites dormindo no chão na casa de um amigo e passava seus dias catando garrafas de Coca Cola para reciclar e se vestindo como personagens de Alice no País das Maravilhas em um shopping ganhando US$3 por hora.

Mas em 1974, a sorte de Steven mudou. Ele se tornou um designer para o videogame gigante Atari. Ele ficou lá por dois anos antes de sair para iniciar uma nova empresa de computador com dois amigos. Eles escolheram um nome simples para a sua empresa: a Apple.

Claro que você não sabe quando adota uma criança se será uma das pessoas mais ricas e influentes da sua geração ou não. Pois se fosse assim, todo mundo estaria adotando.

Mas para Deus é exatamente o oposto. Ele já sabia de quem nós éramos e quem nós seremos. E o mais incrível disso é que ele ainda nos adotou.

Pense bem, se soubesse que seu filho seria um traidor, um Henry Philips, o “amigo” de William Tyndale que traiu ele e foi responsável pela sua morte; ou Marcus Junius Brutus, o filho adotivo de Julius Cesar que o assassinou e de onde vem a frase famosa: “Et tu, Brute?”; ou pior, se soubesse que ele seria Judas Iscariote, aquele que traiu nosso Senhor com um beijo. Você adotaria? Você adotaria um traidor?

Deus faria e fez exatamente isso, quando ele adotou você.

Nós temos uma opinião elevada demais de nós mesmos. Queremos jogar pedras na Judas, mas o que é tão diferente em nós. Será que Judas é o único na história de trair Jesus?

A adoção de um traidor.

Mt 26 - A Última Ceia

Mt 26.17; No primeiro dia da Festa dos Pães sem fermento, os discípulos vieram a Jesus e perguntaram: “Onde você quer que nós preparamos a refeição da páscoa para você?”

Vamos lembrar que a páscoa era uma celebração de quando Deus libertou Israel da sua escravidão no Egito. Não era um momento, tipo, velório, mas uma festa.

21; E enquanto eles estavam comendo, Jesus disse: “Eu falo a verdade a vocês, um de vocês vai me trair”. 22 Eles ficaram muito tristes e começaram a perguntar um por um: “Senhor, sou eu?”

Imagine. Todo mundo falando e comendo, e de repente Jesus manda essa: “Um de vocês vai me trair”.

Peraí! De onde veio isso??? Acabou com a festa. Tudo ficou quieto. E os discípulos começaram olhar um para o outro, ninguém se entregando pelo um olhar desviado. E temendo a resposta, todos fizeram a mesma pergunta, “Senhor, sou eu?”

Nós sabemos que era Judas, e Judas sabia que era ele, então por que todos perguntaram? Porque todos sentiram a sua consciência acusando.

Jesus tinha falado sobre o que aconteceria em Jerusalém, e nesse clima, com o potencial por violência, dor, e sofrimento, cada um duvidou que se provocado fosse capaz de ser aquele que trairá Jesus. Todos sabiam da possibilidade.

Um pouco depois Judas saiu e deixou a possibilidade de trair Jesus se tornar realidade.

O pecado maior pertencia a ele por agir, mas o resto?

Durante o mesmo jantar, Jesus avisou Pedro, “Simão, Satanás pediu provar você, mas eu tenho orado por você para que sua fé não falha”.

“Estou pronto para ser preso e morrer com o Senhor!”

Grande declaração. E Jesus responde: “Eu te falo a verdade, nesta mesma noite, antes que o galo cante, você me negará três vezes”.

“Senhor, sou eu?” - “Sim Pedro, é você”.

O resto fugiu e se escondeu. “Senhor, sou eu?” 
Sim João. Sim André. Sim Mateus. Sim Felipe.

Nós olhamos para Judas com um olhar crítico, com uma mistura de ódio e horror. Mas você sabe, eu sei - todos nós somos iguais.

Será que você seria mais corajoso do que aqueles que abandonaram Jesus e fugiram?

Você teria tido a coragem de assumir o que Pedro negou?

E será que eu não teria sentido o mesmo dor na mesa, como uma faca no meu coração, quando ele falou: “Um de vocês vai me trair”?

Nem sei se eu teria tido a coragem de perguntar. Mas eu fico imaginando eu abaixando a minha cabeça não querendo olhar nos olhos dele. Medo. E eu lá sentindo o seu olhar até eu não aguento mais: “Tá bom! Sou eu! Eu vou te trair!!!”

Pois num sentido não era somente Judas que traiu Jesus; eram todos eles, e todos nós, eu, você.

O mais louco de tudo é que é por esses que Jesus vai morrer. São esses que ele vai resgatar.

Ele sabe que todos vão o abandonar e ainda assim morrerá para que possamos ser adotados como filhos de Deus.

Ele sabia e isso não o impediu.

Ele foi até a cruz e nos resgatou e nos trouxe para a família dele e o Pai nos deu "plenos direitos", como seus próprios filhos.

Ele nos deu o seu nome e uma herança. Ah que loucura!

Adoção é o processo pelo qual uma pessoa que não pertence a uma determinada família é formalmente interposta naquela família e feita um membro, legalmente e completamente, com os direitos e deveres dessa posição.

1 João 3.1; Vejam como é grande o amor que o Pai tem nos dado, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus, e isso é o que nós somos!

Um dia Deus adotou um traidor, mas eu não tenho que perguntar quem era. Eu já sei. “Sou eu”.

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