E-pistola_Mártir
Pr. Jeff Fromholz05 de jul de 2006
Mártir: Pegue sua prancha.
Os mártires são aqueles que nós temos que agradecer pela a expansão do evangelho. Foi através do sangue deles que o evangelho espalhou pelo mundo inteiro. Cada vez que houve um avivamento na terra, houve sangue de mártires sendo derramado. E é bem interessante que, essa parece ser a palavra da hora. De repente a igreja acordou e achou homens e mulheres de coragem sobrenatural em sua história. Eu acho que até isso é uma coisa boa, pois é muito importante que nós entendamos o preço pago para que o evangelho chegue aqui em nosso país. Claro que tudo é através do sangue de Jesus, porém houve homens e mulheres que “na face da morte não amaram suas próprias vidas”, fazendo questão de que os que vivem nas trevas recebessem a luz de Jesus.
O que chama a minha atenção é a freqüência que estamos ouvindo essas palavras “proféticas” sobre mártires nos púlpitos agora. É a nova onda. Aquela onda de “avivamento” já bateu na praia faz tempo, e obviamente sem acontecer muito para a frustração de muitas pessoas (incluindo eu). Eu sonhei e ainda sonho com avivamento. Mas para aqueles que estavam simplesmente pegando onda e pregando a moda ou fazendo mais um cântico da hora para poder vender mais CDs, estão de mudança de novo, o papo deles tem mudado. Eles não falam mais em avivamento, pois ninguém mais quer ouvir sobre e, de qualquer maneira, eles nunca entenderam do preço a ser pago e assim acabaram-se decepcionando. E pra quem vive pegando ondas, quando uma bate na praia, eles procuram a próxima e para a alegria deles uma nova onda vem chegando. Pra quem é surfista um mar sem ondas é igual uma igreja sem novidade, moda ou palavra da hora, é bem chato.
Mártir: a nova onda da igreja morna e sem direção de hoje. Você vai ver todos os livros que vão sair em relação dos mártires, os novos cânticos sobre doar tudo, doar até “sua própria vida”. Claro que eu não tenho nenhum problema quanto a isso, eu acho que é muito bom e certo. O problema que eu tenho com isso tudo é a falsidade da coisa. Muitos vão ganhar muito dinheiro fazendo livros sobre algo que não queima neles mesmos, mas porque achou a mina de ouro no mercado. E muitos “pop-stars / adoradores” não vão perder essa oportunidade de “abençoar” o povo de Deus e encher suas contas bancárias na mesma hora. Nem vou falar da igreja aonde já temos muitos nos palcos “chorando” porque Deus “precisa de mártires” hoje em dia, e, muitos chorando lá embaixo fazendo um compromisso com Deus de dar sua vida se necessário. Muito lindo; muito longe da realidade. Mas, nisso, antes de me apedrejar vamos parar a cena “linda” só por um instante. Vamos analisar a situação, a realidade do que está acontecendo e sendo prometido.
Em primeiro lugar, eu acho muito difícil alguém morrer para algo que ele nem vive. Ou, em outras palavras, eu acho muito difícil alguém morrer por Jesus, quando este alguém nem vive por Ele. Será que achamos que seria mais fácil morrer em vez de viver? Aqueles que morreram como mártires no passado, viveram vidas tão radicais e separadas por Deus que acabaram sendo assassinados. Eles viveram o que acreditaram sem vacilar e por conseqüência morreram. Isto não é uma questão de: “o que veio primeiro, a galinha ou o ovo?”. A vida dos mártires vivida para Deus, veio bem antes. E o fato de recusarem renunciar Jesus ou mudarem de vida, resultou em mortes. Por isso eu questiono a realidade de: um povo que vive em pecado, misturando com o mundo (de uma forma que é difícil saber quem é quem), falando em morrer por algo que eles mesmos mal vivem. Se alguém tem “esperança” em dar sua vida por Jesus, ela começa no dia-a-dia, sendo obediente, evangelizando e vivendo em santidade. A coisa está meio ridícula e banal... Tantas pessoas vivendo suas vidas por si mesmas e os seus prazeres, e mesmo assim, berrando e chorando sobre algo que é mais longe das suas vidas do que a própria lua. Quem é mártir não fala sobre o negócio, ele vive.
Em segundo lugar, será que alguém realmente vai precisar morrer aqui no Brasil pelo evangelho? Meu amigo! Estamos bem longe disso. Hoje em dia, o evangelho é tão diluído nos púlpitos que está sendo pregado que, ninguém nunca vai se ofender (muito menos querer matar alguém). Enquanto ninguém falar de pecado, inferno ou confrontar os pecados da nossa sociedade (que temos o costume de chamar de cultura), tudo vai bem. Mas a hora em que alguém ficar em pé e começar a gritar sobre os pecados culturais que toleramos e até deixamos entrar em nossas igrejas (namoro, materialismo, etc), talvez vamos ter a oportunidade de ver alguém mesmo morrer por Jesus aqui. Mas por enquanto, vejo pouco disso. Ainda que estou esperando uma geração profética se levantar (que até agora não se levantou e não existe senão “pela fé”), não vejo muito isso.
Enquanto ser crente for moda e os crentes forem cômodos, será difícil imaginar mártires. Esse papo acaba somente sendo uma boa ilusão, desculpa para chorar e se emocionar com a galera que para mim é meio estranha. Realmente o que a igreja do Brasil precisa não é de mártires, mas precisa acordar e ver que tudo não está bem, que avivamento não está acontecendo e nem aconteceu - independente das palavras lindas que saíram dos púlpitos. E que tudo não está bem, independente do sentimento enganoso - que é resultado de muitos ensinamentos falsos que estamos ricos, prósperos e abençoados, mas não estamos nada disso. Pois se nós pararmos a sós por um momento vamos ouvir a voz do Espírito falando: “Você é pobre, cego, e nu”.
Brasil é uma nação abençoada por Deus, mas também eram abençoadas muitas outras nações. Essas não souberam apropriar as benções de Deus, não agradeceram a Ele, não o obedeceram e acabaram sofrendo um julgamento divino em vez de um avivamento verdadeiro. O negócio de ser mártir é sério demais; é o sangue deles que chama pelo Senhor, são à eles que Deus vai vingar. Ser mártir é sério e real, tanto quanto avivamento. Vamos fazer questão de não banalizar algo lindo por necessidade de ter algo a mais, uma nova onda. Em vez de pegar essa onda, vamos deixar nossas pranchas no depósito e fazer questão de primeiro viver por Ele. E se por acaso vier à hora que temos que morrer poderemos falar: “vivi e agora morrerei por Jesus”.
Deus te abençoe!
Pr Jeff