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Folha A·169
Geração BenjamimJeff FromholzObra reunida
03 de jul de 2006

Mártir

Pr. Jeff Fromholz03 de jul de 2006

Mártir: Pegue sua prancha.

Os mártires são aqueles que nós temos que agradecer pela a expansão do evangelho. Foi através do sangue deles que o evangelho espalhou pelo mundo inteiro. Cada vez que houve um avivamento na terra, houve sangue de mártires sendo derramado. E é bem interessante que essa aparece de ser a palavra da hora. De repente a igreja se acordou e achou homens e mulheres de coragem sobrenatural na sua história. Eu acho que até isso é uma coisa boa, é muito importante que a gente entenda o preço pago par que o evangelho chegar aqui nosso país. Claro que tudo é através do sangue de Jesus, mas houve homens e mulheres que “na face da morte não amaram suas próprias vidas” fazendo questão que os vivendo nas trevas receberem a luz de Jesus.

O que chama a minha atenção é a freqüência de qual estamos ouvindo essas palavras “proféticas” sobre mártires dos púlpitos agora. É a nova onda. Aquela de “avivamento” já bateu na praia faz tempo e obviamente sem acontecer muito para a frustração de muitas pessoas, incluindo eu. Eu sonhei e ainda sonho em avivamento, mas para aqueles que estavam simplesmente pegando onda e pregando a moda ou fazendo mais um cântico da hora para poder vender mais CDs estão de mudança de novo, o papo deles tem mudado. Eles não falam mais em avivamento pois ninguém mais quer ouvir e de qualquer maneira, eles nunca entenderam do preço a ser pago e assim acabou se decepcionando. E pra quem vive pegando ondas, quando um bate na praia, eles procuram a próxima e para a alegria dele uma nova tem chegada. Para quem é surfista, um mar sem ondas é bem chato igual uma igreja sem novidade, moda ou palavra da hora.

Mártir: a nova onde da igreja morna e sem direção de hoje. Vai ver todos os livros que vão sair em relação dos mártires e os novos cânticos sobre dando tudo, especialmente até “sua própria vida”. Claro que eu não tenho nenhum problema com isso, eu acho que é muito bom e certo. O problema que eu tenho com tudo isso é a falsidade da coisa. Muitas vão ganhar muito dinheiro fazendo livros sobre algo que não queima neles mas porque achou a mina de ouro no mercado. E muitos “pop-stars / adoradores” não vão perder essa oportunidade de “abençoar” o povo de Deus e encher suas contas bancários na mesma hora. Nem fala da igreja a onde já temos muitas nos palcos “chorando” porque Deus “precisa de mártires” hoje em dia e muitos chorando lá em baixo fazendo um compromisso com Deus de dar sua vida se necessário. Muito lindo; muito longe da realidade. Mas, nisso, antes de me apedrejar, vamos parar a cena “linda” só por um instante e analisar a situação e a realidade do que está acontecendo e sendo prometido.

Primeiro, eu acho muito difícil alguém morrer para algo que ele nem vive. Ou, em outras palavras, eu acho muito difícil alguém morrer por Jesus quando ele nem vive por Ele. Será que achamos que seria mais fácil morrer em vez de viver. Aqueles que morrerem como mártires no passado viverem vidas tão radicais o separadas por Deus que acabou sendo assassinados. Eles viveram o que acreditaram sem vacilar e por conseqüência morrerem. Isto não é uma questão de o que veio primeiro, a galinha ou o ovo. A vida vivida por Deus veio bem antes e a recuso de mudar ou renunciar Jesus resultou em morte. Por isso eu questiono a realidade de um povo que vive em pecado misturando com o mundo de tal ponto que é difícil de saber quem é quem mais falando em morrer por algo que mal vive. Se alguém tem “esperança” em dar sua vida por Jesus, ela começa no dia a dia, sendo obediente, evangelizando, e vivendo em santidade. A coisa está meio ridícula e banal; tantas pessoas vivendo vidas por se mesmo e os seus prazeres berrando e chorando sobre algo que é mais longe das suas vidas do que a própria lua. Quem é mártir não falar sobre o negócio. Ele vive.

Segundo, será que alguém realmente vai precisar morrer aqui no Brasil pelo evangelho? Meu amigo, estamos bem longe disso. Hoje em dia o evangelho é tão diluído nos púlpitos, se está sendo pregado, que ninguém nunca vai se ofender, muitos menos querer matar alguém. Enquanto ninguém falar de pecado ou inferno ou confronta os pecados da nossa sociedade que temos o costume de chamar de cultura, tudo vai bem. Mas,a hora em que alguém fica em pé e começa gritar dos montes altos dos pecados culturais que toleramos e até deixamos entrar em nossas igrejas (namoro, materialismo, etc) talvez vamos ter a oportunidade de ver alguém mesmo morrer por Jesus aqui. Mas, por enquanto vejo pouco disso, ainda que estou esperando uma geração profética se levantar (que até agora não se levantou e não existe senão “pela fé”).

Enquanto sendo crente é a moda e os crentes são cômodos é difícil de imaginar mártires. Esse papo acaba sendo somente uma boa ilusão e desculpa de chorar e se emocionar com a galera que para mim é meio estranho. Realmente o que a igreja de Brasil precisa não é de mártires, mas de se acordar e ver que tudo não está bem, avivamento não está acontecendo, nem aconteceu, independente das palavras lindas que sair dos púlpitos, e que tudo não está bem independente do sentimento enganoso, resultado de muitos ensinamentos falsos, que estamos ricos, abençoados e não precisam de nada. Pois se nós paramos sós por um pouco vamos ouvir a voz do Espírito falando, “Você é pobre, cego, e nu.”

Brasil é uma nação abençoada por Deus, mas também eram muitas outras nações que não sabiam apropriar as benções, não agradeceram Ele, não obedeceram e acabaram sofrendo um julgamento divino em vez de um avivamento verdadeiro. O negócio de ser mártir ‘sério de mais; é o sangue deles que chama para o Senhor, são eles que Deus vai vingar. Ser mártir é sério e real, tanto quanto avivamento. Vamos fazer questão de não banalizar algo lindo por necessidade de ter algo a mais, uma nova onda. Em vez de pegar essa onda, vamos deixar nossas pranchas no depósito e fazer questão de primeiro viver por Ele. E se por acaso vem a hora que temos que morrer poderemos falar “Vivi e agora morrerei”.

Deus te abençoe!

Pr Jeff